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segunda-feira, 22 de março de 2010

Grupo ligado a Sarney controla fundo com rombo de R$ 1,43 bi

Maranhão - Empresa de Gianfranco Perasso e Flávio Lima - 'cabeças', segundo a PF da organização criminosa chefiada por Fernando Sarney - receberam do fundo de pensão Postalis, dos Correios, R$ 153,3 milhões para construir termelétrica em Manaus (AM)

Estatal dos Correios terá de assumir rombo bilionário do fundo, presidido por Alexej Predtechensky (indicação de Edison Lobão), que foi colega de faculdade de Fernando Sarney no curso de engenharia da Universidade de São Paulo (Poli)

Reportagem publicada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo revela que a estatal dos Correios terá de assumir um rombo de R$ 1,43 bilhão do seu fundo de pensão, o Postalis. O presidente do Postalis, Alexej Predtechensky, fez na sua gestão três investimentos milionários em empresas controladas por pessoas que aparecem na Operação Boi Barrica da Polícia Federal (rebatizada Faktor) como ligadas a um suposto esquema do empresário Fernando Sarney - superintendente do Sistema Mirante e filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) -, que faria tráfico de influência no setor elétrico.

Alexej foi indicado para o cargo pelo ministro Edison Lobão (Minas e Energia), um dos mais fiéis aliados de José Sarney. Até o ano passado, Alexej era formalmente sócio de Marcio Lobão, um dos filhos do ministro, em uma importadora de carros BMW em Brasília. Edison Lobão era chamado pelos investigados da Operação Boi Barrica de "Magro Velho".

No total, na gestão de Alexej, foram investidos R$ 371,9 milhões em três empresas de energia: a Multiner e em outras duas vinculadas a ela - a Raesa (Rio Amazonas Energia) e a New Energy. O investimento nas três empresas representa 50,06% do total destinado pelo fundo ao setor.

O sócio da Multiner, José Amilcar Boueri, aparece num organograma preparado pela PF, que mapeou o suposto esquema da família Sarney no setor elétrico.

Investimento - Um dos investimentos mais polêmicos do Postalis é na construção da termelétrica Cristiano Rocha pela Raesa, que abastece parte de Manaus.

A empresa recebeu R$ 153,3 milhões do fundo, o maior percentual destinado pelo Postalis para um negócio no setor. A aplicação foi feita em abril de 2006, dois meses depois de o presidente do Postalis assumir o cargo. A Raesa foi fundada por Gianfranco Antonio Vitório Artur Perasso e Flávio Barbosa Lima, sócios indiretos na época e apontados pela PF na operação Faktor como braços operacionais da suposta quadrilha comandada por Fernando Sarney. Os três são acusados de tráfico de influência e formação de quadrilha no setor elétrico. Em conversas gravadas pela PF com autorização judicial na Operação Boi Barrica, Gianfranco era chamado de "China" ou "China Boy", Flávio de "Flavinho" e Fernando de "Bomba".

O relatório da PF aponta Perasso e Lima como donos de metade da empresa Tripartner Participações, que, por sua vez, é dona de 30% do capital da Raesa, via outra empresa, a 2007 Participações. A fatia da dupla equivaleria, segundo a PF, a cerca de R$ 100 milhões.
(Andrezza Matais e Leila Coimbra, da Folha de S. Paulo, e Redação do JP).

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