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segunda-feira, 22 de março de 2010

Arquivo Público sofre com a ação do tempo e vive estado de abandono

Sociedade - O Arquivo Público do Estado do Maranhão vem sofrendo, há mais de 30 anos, com a ação do tempo e com o descaso público. O casarão do século 19, situado à Rua de Nazaré, casa 218, no Centro Histórico da capital, que guarda um acervo com aproximadamente 300 anos, precisa de reformas estruturais em caráter emergencial, uma vez que o teto tem extensas goteiras. Parte do acervo necessita estar permanentemente coberto com plástico para que não molhe, as paredes exibem profundas rachaduras e o forro de madeira ameaça desabar com a chegada do inverno.

O Arquivo Público é um órgão vinculado à Secretaria de Estado da Cultura. Ele tem como finalidade recolher, organizar preservar e divulgar os documentos de valores históricos ou permanentes, provenientes dos órgãos integrantes da administração direta e indireta do Estado.

O casarão da Rua de Nazaré guarda um acervo de três séculos (Fotos: g. ferreira)

O arquivo tem sob sua guarda o maior acervo documental do Maranhão, oriundo da Secretaria do Governo (1728-1914) e suas sucessoras (1914-1991) e do Arquivo da Polícia (1842-1963). O acervo está constituído por aproximadamente um quilômetro e meio de documentos textuais - manuscritos (datilografados e impressos) dos períodos Colonial, Imperial e Republicano, além de mapas, plantas, discos e microfilmes.

De acordo com funcionários do Apem, quando o inverno chega o medo toma conta de todos, uma vez que as precárias condições do casarão não abrigam com segurança o acervo nele contido. "A diretoria do arquivo mandou cobrir os livros com um plástico preto com medo de a chuva danificar os livros e documentos, mas isso não impediu que eles fossem afetados, pois é possível verificar as marcas de umidade nas folhas", disse uma funcionária, que completou: "Aqui é muito quente. Os pesquisadores sofrem quando necessitam buscar informações. No governo passado, foi autorizada a compra de oito aparelhos de ar-condicionado, mas só adquiriram dois, recentemente. Os diretores mandam com freqüência documentos com pedidos de reforma, mas nunca são atendidos".

Para a historiadora Elizabeth Ramos o Arquivo Público reúne a história do Maranhão e por isso é importante que seja mantido em boas condições. Ela lamenta o fato de o prédio e o acervo estarem esquecidos pelo poder público e destaca que as obras contidas no Apem são de um valor incalculável como fonte de informação e pesquisa. "É necessário que a sociedade também se conscientize sobre a importância da preservação da memória do Maranhão, contida neste acervo. Espero que a governadora [Roseana Sarney] pare um pouco de fazer política e tente salvar a nossa história antes que ela desapareça por completo", declarou.

'Pó da China' - Outro grande problema,segundo os funcionários, é o armazenamento de uma carga de produtos químicos altamente tóxicos, que estão guardados em contêineres de zinco, no subsolo do Arquivo Público. Entre eles está o pentaclorafenol, mais conhecido como 'pó da china' - um produto letal em 100% dos casos, cuja contaminação ocorre por ingestão no organismo ou através de ferimentos.

Para incinerar elementos como o pentaclorafenol é necessário a ajuda de um reator de 1.200°C, com queima secundária e lavagem de gases. E mesmo assim, a incineração pode ser perigosa porque há ainda a ameaça de poluir o meio ambiente.

Documentos cobertos com lona, rachaduras nas paredes e deterioração do prédio: a memória do estado sob risco

"A única coisa que sabemos é que esses produtos foram descobertos aqui em 28 de maio de 1991 e boa parte deles foram retirados, mas o 'pó da china' ficou. Na época disseram que esses elementos químicos eram empregados no combate aos agentes biológicos que atuam na decomposição da celulose, comprometendo assim a conservação de documentos e outros papéis. Mas ninguém soube esclarecer se essas substâncias chegaram a ser usadas ou se alguém teve contato com as embalagens na época", revelaram funcionários do arquivo.

O Arquivo Público do Estado do Maranhão recebe pesquisadores do Brasil e do mundo. Estima-se que aproximadamente 50 pessoas passem pelo local diariamente. São pessoas em busca de informações sobre a história do Maranhão para complementação de trabalhos literários, teses de mestrado e doutorado, monografias, entre outras finalidades.

Outros conjuntos documentais foram incorporados posteriormente ao acervo, como o arquivo da Delegacia de Ordem Política e Social (1969-1991); arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa (1614-1883); acervo da Arquidiocese (1673-1977), acervo João Mohana e Ney Rayol (1987-1988) e acervo Sonoro.

O Arquivo Público dispõe ainda da Biblioteca de Apoio, que reúne 5 mil volumes, datados de 1808 até 1990; da Mapoteca, que exibe a documentação cartográfica; e da Hemeroteca, composta por aproximadamente 23 títulos do que há de mais representativo na imprensa maranhense, entre eles o Jornal Pequeno e A Pacotilha, produzidos entre 1844 e os dias atuais. (POR JULLY CAMILO).

2 comentários:

Luiza disse...

O arquivo público está às moscas desde o governo passado, de Jackson. lembro de uma vez ter ido lá e não poder acessar os documentos, pois o material havia sido retirado para digitalização e o serviço foi suspenso por falta de pagamento do governo.

Anônimo disse...

Roseana pegou o governo cheio de falhas, cheio de problemas, são só onze meses, ela já fez muito pelo Maranhão, mas não dava pra sanar todos os problemas deixados por Jackson, ainda mais com os cofres vazios.

Alê

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