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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Revista exame e Roseana

Política - Nesse mundão sem porteiras, principalmente para a informação que chega de maneira avassaladora e ostensiva, está mais difícil aos que vivem de criar factóides em mantê-los vivos por muito tempo. Bons tempos aqueles em que, possuindo a concessão de uma televisão, rádios e jornais, podia-se moldar em benefício próprio tudo o que se quisesse. Qualquer contraponto levava meses para ser divulgado e assim a influência de um grupo bem aparelhado sobrevivia durante muitos anos. Assim foi aqui no Maranhão durante o domínio da oligarquia. Quem tinha o comando dos meios de comunicação reinava absoluto. Primeiramente, apenas os “coronéis” e depois, com o globalização da informação, os “coronéis eletrônicos”.

Roseana Sarney, que não gosta de ser assim chamada, parece não ter ainda se dado conta de que os tempos mudaram e que hoje é muito difícil, praticamente impossível, manter versões falsas de seus feitos ou realizações. Ainda que tenha ao seu redor um séquito de marqueteiros de primeira linha. Estes até que tentam, mas seus esforços em manipular a realidade não subsistem muito tempo. Simplesmente não dá mais. Ponto.

Quando ela tentou construir uma imagem de dinamismo e modernidade, de prestígio e interesse pelo desenvolvimento do estado para essa mais recente gestão que lhe foi presenteada por 4 ministros do TSE, ela não conseguiu ir muito além da pantomima de juntar empresários para dizer que estavam trazendo grandes projetos, bilhões de reais e empregos para todo o mundo.

Pois bem, isso não resistiu à realidade - que se impõe, naturalmente - e os agentes escalados para o palco televisivo não foram capazes de avançar ou inovar muito além de protagonizarem declarações de boa vontade com a governadora Sarney Murad e com o Maranhão. Praticamente nada ficou de saldo ou de benefícios para o estado. Pura, puríssima propaganda.

Ambos proprietários de sistemas de comunicação compostos por televisões e rádios (e ainda jornais, no caso dela), Roseana e Lobão acharam uma excelente oportunidade de tirar o governo do marasmo e da mesmice de sempre e elegeram a refinaria da Petrobras como a salvação de seus problemas, a solução que buscavam desesperadamente. Esse trunfo já havia sido usado em 1994, data em que Roseana se candidatou ao governo do estado, e quando ela inaugurou a tentativa de esconder o Sarney de seu nome. Nessa época, até folderes foram editados, exuberantemente coloridos, como bem mostrou o vigilante Jornal Pequeno...

Agora, aproveitando o reforço que a passagem de Lobão pelo Ministério de Minas e Energia agrega ao grupo, copiaram e requentaram o embuste, nutrindo-o com a credibilidade que o enfoque ministerial-federal confere ao tema. Entretanto, Roseana e tampouco Lobão esperavam que o presidente da Petrobras, Sergio Gabrielle, colocado na difícil posição de se responsabilizar pela lambança, eximisse-se de todo o mise-em-scène, informando a todos que uma refinaria como tal trata-se de um projeto muito complexo, necessitando de vários estudos de dificuldade crescente e que demandam anos para serem elaborados. Coisa para nove a dez anos antes de ficar pronta...

Em outras palavras: de nada servirá como combustível para a eleição de 2010.

É bem verdade que, logo no início do imbróglio, os espertos ensejaram um movimento de ataque àqueles que mostravam a fragilidade e inconsistência dessa grande montagem midiática, mas hoje parece-nos bastante claro que dificilmente alguém acreditará nesta baboseira.

Mas Roseana é insistente. Como não tem nada a apresentar de revolucionário e efetivo, promove as tais reuniões com os tais empresários... Como não era de se surpreender, destacou-se a badalada e controversa figura de Eike Batista, maior contribuinte individual das campanhas de Sarney pai e Sarney filha. Assomam projetos em profusão. Para todos os gostos e feitios. Lula, em seu esforço de vender ao mundo um Brasil em formidável estágio de desenvolvimento, ficaria encabulado com o ainda mais formidável desenvolvimento do Maranhão, se levasse a sério as palavras saídas da retórica devaneante de Roseana Sarney.

Mas... como falei antes, hoje é mesmo difícil manter factóides descolados da realidade por muito tempo.

Um exemplo disso foi dado recentemente pela revista Exame, cuja especialidade é noticiar o mundo econômico e empresarial. A publicação, que não tem nada com o que diz a governadora do Maranhão, colocou nas bancas uma edição voltada para o crescimento do Nordeste, listando novos empreendimentos e seus estados respectivos. Nesse momento, o Maranhão não parece figurar no contexto de maravilha que Roseana tentou nos convencer. Ela vai ficar muito contrariada.

A matéria de capa da revista intitula-se “Nordeste - Aqui o Brasil Cresce Mais Rápido”. Seu conteúdo é otimista e tenta mostrar o dinamismo do crescimento da região. Traz uma lista de empreendimentos confirmados por estado. A única refinaria citada é a de Pernambuco, que ainda não saiu do papel, e já havia sido matéria de propaganda eleitoral de Lula quando disputou a reeleição. Até agora, a única coisa visível é a terraplanagem do local onde será erguido o projeto.

Ainda assim, Pernambuco traz a maior lista de empreendimentos. São sete. Em seguida, tem-se a Bahia com quatro e o Ceará com dois. O Maranhão também conta com dois projetos, além de um outro que divide com o Piauí. Os outros estados fecham a lista cada um com uma menção.

Para aborrecer ainda mais a governadora dos factóides, nenhum projeto constante da publicação foi trazido por ela como governadora. São eles: a Ampliação da Alumar (que começou no meu governo, com a concessão de todas as licenças do projeto) e a ampliação do Porto do Itaqui ( que se iniciou também durante o meu governo) e cujo atraso na liberação de recursos das emendas dos parlamentares do Maranhão deveu-se como sempre a atuação da corriola de Sarney.

O projeto que dividimos com o Piauí é a Fabrica da Suzano, que veio para cá na esteira das condições viabilizadas durante o governo de Jackson Lago.

Eis então a famigerada pergunta: E Roseana? Nada. Mas quem se surpreende?

E a reitera outros esclarecimentos ao expor que no passado o Nordeste tinha base numa estrutura quase feudal, na inexistência de tecnologia e na escassez de grandes empreendimentos. Não havia, numa conseqüência óbvia e cruel, oportunidade. Não bastasse isso, argumenta que a escolaridade da região é muita baixa, empurrando-a para baixo no ranking do desenvolvimento. Por fim, destaca, para o nosso desconforto, o Maranhão e Alagoas como possuidores dos piores indicadores sociais da região.

Política - Só deixaram de mencionar que em 2002 (quando Roseana deixou o seu segundo mandato como governadora) não havia ensino médio em 157 municípios do Maranhão e a escolaridade média no estado era 4,5 anos. Também não comentaram o histórico de agudeza das vicissitudes enfrentadas pelo estado nos 40 anos de domínio oligárquico da família Sarney e a inoperância destes em conduzi-lo, mesmo tendo o seu patriarca chegado à Presidência do país. Podia ter sido muito diferente se essa família não escravizasse o estado durante tanto tempo...

Contra isso é que seguimos no front.

Em tempo: Nossa admiração e aplauso ao bom exemplo dado pelo Sindicato dos Farmacêuticos do Maranhão, que não se cala e não desiste de sua luta em impedir a liquidação do sistema de saúde do nosso estado. Avante!

O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras

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