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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sarney ajudou filho a 'atacar' setor elétrico

Brasília - Uma reportagem da edição de hoje do jornal Folha de S.Paulo aponta, por meio de escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal (PF), que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ajudou seu filho, Fernando Sarney, a obter indicações a apadrinhados em órgãos públicos e depois pressioná-los para obter verbas de patrocínio para as instituições ligadas à família.

Em um dos grampos obtidos pelo jornal, todos feitos entre fevereiro e março de 2008, Sarney orienta seu filho a arrumar emprego para aliados no comando da Eletrobrás, que é ligada ao Ministério das Minas e Energia. Em outro, Fernando avisa o pai que, após as nomeações, iria "atacar" (pressionar) os nomeados para obter verbas de patrocínio para instituições privadas.

Segundo a Folha, após a nomeação de José Antonio Muniz para a presidência da Eletrobrás – que também é alvo de conversa entre Fernando e o próprio Muniz obtida via escuta telefônica –, uma conversa entre o filho do presidente do Senado e uma assessora da presidência da estatal resultou, meses depois, no recebimento de R$ 590 mil, sem licitação, por uma ONG que tem Sarney como presidente de honra. O dinheiro seria para realizar festas pelo Maranhão, uma delas realizada pela governadora Roseana Sarney (PMDB).

Outra nomeação que, segundo os diálogos nos grampos, contou com a intermediação de José Sarney foi a do engenheiro Flavio Decat. Segundo a Folha, ele foi loteado na recém-criada Diretoria de Distribuição da Eletrobrás. Em um dos diálogos, Sarney combina com Fernando que Decat deve encontrá-lo em seu gabinete para uma conversa. "A coisa está caminhando naquela direção", pergunta o filho do senador. "Tá (está)", diz Sarney.

Segundo policiais ouvidos pelo jornal, os grampos podem comprovar o crime de tráfico de influência. As escutas foram obtidas com autorização judicial na operação Faktor (ex-Boi Barrica) em que a PF já indiciou o filho de Sarney por quatro crimes, mas ainda não tratou do tráfico de influência.

Procurados pelo jornal, o presidente do Senado e seu filho não quiseram comentar o assunto. Muniz reconheceu a influência de Sarney nas nomeações da empresa e que sua nomeação teve seu aval. Já Decat negou que tenha conseguido a indicação por pressão do presidente do Senado, mas admitiu que recorreu ao senador quando buscava a presidência da estatal.

Folha São Paulo.

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