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terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Roseana Sarney de sempre

Maranhão - Em 1998, após graves problemas de saúde e muitas cirurgias, Roseana Sarney resolveu fazer uma reforma política, que classificou de revolucionária, cujo objetivo na verdade consistiu em entregar o poder ao marido, Jorge Murad, transformado em algo como um ‘super-secretário’ de estado. Declarou a então governadora que, com tempo de sobra para refletir e movida como que por uma epifania, extinguira as secretarias de Agricultura, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Indústria e Comércio, Fazenda, além de órgãos como a Fapema, DER e vários outros, por considerar supérfluos. Todos deixaram de existir. Nunca mais tivemos manutenção de rodovias.

Em troca, foi criada e entregue a Jorge Murad a secretaria de Planejamento e Desenvolvimento. O “primeiro-cavalheiro” do Maranhão à época passou a controlar a receita, a alocação de recursos e os pagamentos. Nada lhe faltava. Reinava absoluto, ninguém lhe fazia sombra, nem a governadora de fato. Esta última, naturalmente, continuaria a ter tempo de sobra para não fazer nada e dedicar-se “nas horas de folga” a jogar seu baralhinho, pois ninguém é de ferro.

Jorge tinha o poder que queria e Roseana, as delícias do poder...

Nesse movimento, ela liquidou a agricultura do estado e também a pecuária, já que a aftosa não recebia combate. Ato contínuo, agravou a pobreza no meio rural, contribuindo para piorar os indicadores sociais, que já eram funestos.

Nesse período nefasto, o estado teve uma administração medieval. Uma situação desajustada e descontrolada em que empresas não encontravam aqui interlocutores para discutir investimentos e tampouco havia instrumentos para a modernização do estado. Claro, visto que inexistia um órgão de fomento à pesquisa científica (Fapema) e mesmo uma secretaria de Ciência e Tecnologia para se ocupar de especificidades da pasta. Isso tudo numa década marcada por inovação em todas as áreas. Nos outros estados, obviamente.

Quem recebia os empresários era quem exercia o poder no estado. Este acabou tornando-se sócio em empreendimentos de Shopping Center, além do emblemático caso da Bunge, que, por motivos notórios, acabou indo para o Piauí.

Roseana Sarney já houvera colocado o Maranhão num beco sem saída ao deixar, propositalmente, 158 municípios sem ensino médio. Municípios condenados por ela a se perpetuarem na pobreza. Um crime sem precedentes. A forma regular de ensino foi trocada por milionário contrato com a Fundação Roberto Marinho, para a difusão de um Telecurso que não deixou saudades. Nem ensino médio.

Com tal currículo, ela perdeu em 2006 a eleição em que tentava voltar ao governo e jamais seria governadora de novo, se não fosse a estranha e terrível decisão (para o estado) de quatro entre sete ministros do TSE.

Agora, de volta ao governo e com eleições à vista, ela não teve coragem de restabelecer o padrão do seu governo de 2002. Disfarçou e não ousou.

Entretanto, continuou o seu trabalho destruidor. Agora faz pior: mesmo sem extinguir a secretaria de Saúde (o que seria, convenhamos, incomentável), vem liquidando o sistema de saúde do estado. Colocou lá um secretário cuja fama fala por si. Nos lugares por onde esteve, pulverizou o que dirigiu. Nos órgãos por onde passa, enlouquece e deixa estupefatos os servidores, tal o desrespeito aos princípios mais básicos da administração pública, além de exigir deles que assumam responsabilidades por seus atos, quase sempre desrespeitando preceitos legais. O secretário de Saúde quer assim que os servidores sofram as penalidades por ele.

Isso está demonstrado, ainda sem os esclarecimentos necessários, na recente demissão da Comissão de Licitações da secretaria, de todos os membros, que era chefiada por Gardenia Baluz. A Comissão teria proposto a anulação da polêmica licitação dos tais 64 hospitais e isso teria enfurecido o nobre secretário, já que a suspensão da licitação inviabilizaria de vez a construção dos hospitais.

O edital de concorrência foi impugnado por ninguém menos que o CREA, órgão que disciplina e zela pela carreira de engenharia e pelas obras do setor, inclusive as públicas. Sendo esnobado pela secretaria de Saúde, o citado conselho resolveu formular denúncia ao Tribunal de Contas, alegando que não havia como licitar nada com aquele edital, dada a existência de vícios insanáveis. Em outras palavras, inexistia até mesmo o endereço dos empreendimentos a serem construídos. Isso sem falar nos valores apenas estimados das fundações, preparação do terreno e seus custos. Licitações sérias não levam em conta estimativas, mas cotações. Isso só acontece em licitações dirigidas, como parece ser este caso. Falou-se que, dada a confusão, a licitação seria anulada. Eis que surge então a tentativa de manter a negociata, atirando a responsabilidade para a servidora encarregada.

A realidade é que o setor da saúde no Maranhão está uma completa bagunça, sem projeto, sem rumo... Empresas montadas agora, como a tal Cruz Vermelha Maranhense, (nome criado para confundir o povo, em alusão à respeitável instituição internacional Cruz Vermelha), dirigida por amigos e parentes, privatiza espaços nos hospitais públicos para laboratórios privados. Não bastasse isso, a secretaria vem substituindo, sem licitação, empresas especializadas que administravam alguns dos maiores hospitais públicos do estado. Surge então a pergunta: Como não houve licitação, que preços foram acertados com a nova empresa contratada? Só nos falta constatar que até aqui também já chegaram os famigerados atos secretos do Sarney no Senado. Tal pai tal filha...

No caso dos laboratórios, a denúncia do Sindicato dos Farmacêuticos é de que os laboratórios públicos, muito bem equipados, estão sendo abandonados para que virem sucata. Com isso, os laboratórios privados assumem o nicho nos hospitais, ganhando um mercado que nunca tiveram no estado. Tudo, naturalmente, de acordo com o atual padrão: sem licitar. Mais um grande negócio do governo Roseana. Não perdem mais tempo. Para que licitação?

Não vêem o Italuis? Como São Luís está sem uma gota de água nas torneiras, nada mais justo e digno de agradecimento a tão diligentes e interessados administradores... E tome dispensa de licitação, desta vez de milhões, talvez bilhões. Somos todos uns mal agradecidos...

Parece que para eles não existe Ministério Público, nem Justiça. Nada temem. Para que serve esse formidável e descompromissado sistema Mirante de comunicações?

Nos faz falta um sistema central e idôneo de licitações que inclusive teria que opinar sobre a legalidade dessas dispensas de concorrências. Que falta fazem Chico Batista e seus diretores...

É o total desmonte da Saúde maranhense. Trabalha-se firme e obstinadamente para isso. Seja pela negação de recursos para o funcionamento de hospitais no interior, seja pelos estoques limitados de medicamentos para distribuir, seja pelo não repasse às prefeituras de verbas destinadas à especialização de importantes hospitais do estado.

O Maranhão não aguenta uma administração de Ricardo Murad na Saúde em um governo “comandado” por Roseana Sarney. Sim, esta mesma, a quem ele brindava com terríveis insultos quando esteve brevemente na oposição.

Resta-nos então esperar... Quem havia antes acabado com a Agricultura e o Meio Ambiente, a Indústria e Comércio, a Fapema, a Ciência e Tecnologia e outros, pode agora se orgulhar. Vai acabar com o sistema de saúde do estado, que só trabalha na contramão dos interesses da população, mas deixa muito satisfeitos amigos e parentes, sempre vencedores de suspeitíssimas dispensas de licitação.

De fato Roseana Sarney Murad está de volta ao trabalho!

O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras

O Pequeno.

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